sábado, 4 de julho de 2009

I wanna see what your insides may be

- Não te entendo.
- E nem eu.
- (...)
- Já se decidiu?
- Sim.
- E o que fará?
- Nada.
(...)
- E desde quando isso é solução? Você me deixa confuso.
- Não disse que essa é a solução. Disse? Você é naturalmente confuso, não me culpe por isso.
- Então qual é a solução?
- E eu sei?
(...)
- Desisto de ti, garota.
- Eu sei que não. De uma forma ou outra, você sempre estará comigo. Porque você precisa.
- Eu te amo.
- Eu não. Não vou dizer o que sinto, é passageiro. Descartável.
- Não precisa dizer. É até melhor que não diga. Fica mais bonita em silêncio.
(...)

Silence.
Sinto a chuva gelar a minha pele. Como pequenas faíscas que me relembram que continuo ali, sentada. Continuo no mesmo lugar. Sendo esperada, pois não espero pelas pessoas. Elas simplesmente entram na minha vida. A única coisa que eu posso fazer é tirá-las de lá. Porque é algo meu, totalmente. Absoluto. Tóxico.

Meus dedos correm pelas minhas pernas descobertas, arranhando-as enquanto, de uma forma imediata, a chuva lava o pouco sangue que escorre. São só marcas físicas. Feitas para distrair as psicológicas, as fundas que te colocam em lugares irracionais. Fazendo com que a loucura seja seu estado mental. Louca. Louco. Loucos! E não é por amor.

Tudo pode ser um pouco exagerado, já que nada está realmente baseado em nossa perspectiva, mas ainda sinto o sangue pulsar rapidamente pelas minhas veias. Ainda vejo elas saltarem e conforme tudo isso acontece, percebo que o meu corpo esquenta ainda mais por dentro. Por outro lado, se alguém me tocasse nesse momento, poderia muito bem me confundir com algum tipo de gelo.
A chuva cooperou comigo. E, pela primeira vez nesse período, as coisas tendiam a ficar aliviadas. Não melhores. Não. Era cedo demais para alguma melhora. Mas tudo ficaria sem tanta pressão, batidas e cuspes. Porque tudo iria cessar. Por um tempo. Por dias. Talvez, para sempre.

É difícil entender a complexidade das pessoas. Seus sentimentos acabam estragando muitas coisas; pois são indestrutíveis. Porque quando acreditamos tanto em sentir, tudo parece realmente verdadeiro.
Mais uma ilusão.
Um fato para se comprovar com o coração.
Falta de racionalidade.
Pois nem todos tem a mesma capacidade que eu e algumas excessões.
Ver. Se interessar. Não se misturar.

Vocês são água; eu e outros somos óleo. Nos conhecemos, assim, superficialmente. Mas nunca ficaremos realmente juntos.
A água é pura, limpa, ingênua. O óleo é grosso, difícil de se largar. A água logo seca, o óleo marca. E dentre muitas diferenças, nunca poderei afirmar sem ser hipócrita que sou melhor que você. E nem preciso. Tenho pessoas hipócritas o suficiente para me afirmarem todos os dias a mesma coisa. Porque sou uma companheira para a vida toda. Me basto desde que eu me conheço como gente. Sem apoios, eu não caio. E se estou sofrendo agora, um pouco de sangue resolverá tudo. Sempre foi a solução de mudanças imutáveis.